O outro boom
Machado de Assis em perspectiva transamericana
DOI:
https://doi.org/10.15848/hh.v19.2393Palavras-chave:
Recepção, Transferências culturais, Machado de AssisResumo
O lançamento de Esaú e Jacó nos Estados Unidos, com tradução de Helen Caldwell, insere-se em um contexto peculiar: as políticas da época da Guerra Fria, o fenômeno da recepção dos romances de Jorge Amado, o desconhecimento do público daquele país da realidade dos seus vizinhos do Sul e, em algum momento, também o chamado boom da literatura latino-americana. Como essa conjuntura histórica enforma ou não a versão de Caldwell? Como suas opções de tradução, bem como os problemas que elas suscitam, iluminam a obra de Machado, fazendo com que esta repercuta o mundo contemporâneo de capitalismo avançado e de dominação geopolítica? Ao procurar responder a essas perguntas, este artigo reflete sobre as constantes (re)atualizações da ficção machadiana, bem como sobre suas permanentes conexões históricas.
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