A Casa enquanto Cosmos

sobre a tragédia na obra de Alice Munro

Autores

  • Gustavo Naves Franco

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v19.2424

Palavras-chave:

Alice Munro, Ficção, Historicidade

Resumo

O artigo propõe uma análise comparativa da obra da escritora canadense Alice Munro (1931-2024), tendo como
enfoque a recorrência do modo ficcional trágico em seus contos. O argumento converge para uma diferenciação entre a tragédia escatológica, de referência monoteísta, tal como aparece na literatura pós-apocalíptica do fim do século XX e início do XXI, e aquilo que, no nosso objeto de estudo, ganha contornos cosmológicos, a partir de referências à tradição greco-romana e às culturas politeístas da antiguidade, ainda que se mantendo em um âmbito doméstico e provinciano característico da autora. Ao configurar a tragédia na obra de Munro como um fenômeno mais próximo da tradição classicista do que da judaico-cristã, utilizando para isso também correlações com as obras de Anne Carson e Ursula K. Le Guin, torna-se possível, por outro lado, assinalar o aspecto contemporâneo da historicidade implicada na concepção do tempo em seus contos.

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Publicado

2026-04-22

Como Citar

FRANCO, Gustavo Naves. A Casa enquanto Cosmos : sobre a tragédia na obra de Alice Munro . História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 19, p. 1–18, 2026. DOI: 10.15848/hh.v19.2424. Disponível em: https://revistahh.emnuvens.com.br/revista/article/view/2424. Acesso em: 23 abr. 2026.

Edição

Seção

Dossiê ''História e ficção: hibridismos e reflexividade''