Sidney Chalhoub:

liberdade e determinação na historiografia brasileira da escravidão

Autores/as

  • Dario de Negreiros USP

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v19.2297

Palabras clave:

História da Historiografia, Historiografia Brasileira, Historiografia sobre escravidão

Resumen

Os estudos sobre escravidão tendem de modo geral a uma divisão binária e em simetria inversa: de um lado, “histórias esperançosas de subalternos heroicos”; de outro, “anatomias da destruição” (cf. BROWN, 2009). No interior desta oposição esquemática, a produção acadêmica de Sidney Chalhoub é invariavelmente referenciada — em revisões de literatura e balanços historiográficos — como exemplo paradigmático do primeiro caso. Procedendo à análise crítica dos pressupostos conceituais-procedimentais dos livros Visões da liberdade (1990) e A força da escravidão (2012), este artigo lança luz a um deslocamento perspectivo de grandes proporções — ainda pouco tematizado pela fortuna crítica do autor — por meio do qual o historiador brasileiro pôde desenvolver uma estratégia analítica capaz de abrir caminho à efetiva superação desta dicotomia historiográfica.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Citas

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

BARROS DE CASTRO, Antonio. "As mãos e os pés do senhor de engenho": dinâmica do escravismo colonial. In: PINHEIRO, Paulo Sérgio. Trabalho escravo, economia e sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.

BROWN, Vincent. Social death and political life in the study of slavery. American Historical Review, v. 114, n. 5, p. 1231-1249, Dec. 2009. DOI: https://doi.org/10.1086/ahr.114.5.1231

CARDOSO, Fernando Henrique. Capitalismo e escravidão no Brasil meridional: O negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CHALHOUB, Sidney. Visões da liberdade, uma história das últimas décadas da escravidão na corte. [versão digital não paginada] São Paulo: Cia. das Letras, 1990.

CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. [versão digital não paginada] São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

CHALHOUB, Sidney. (2006) The politics of silence: Race and citizenship in nineteenth-century Brazil. Slavery & Abolition, 27: 1, 73-87. DOI: https://doi.org/10.1080/01440390500499976

CHALHOUB, Sidney. (2010) Precariedade estrutural: o problema da liberdade no Brasil escravista (século XIX). História Social, n. 19, segundo semestre de 2010. DOI: https://doi.org/10.53000/hs.v14i19.315

CHALHOUB, Sidney. (2015) The Politics of Ambiguity: Conditional Manumission, Labor Contracts, and Slave Emancipation in Brazil (1850s–1888). IRSH 60, pp. 161–191 DOI: https://doi.org/10.1017/S0020859015000176

COSTA, Emília Viotti da. A dialética invertida: 1960-1990. In: COSTA, Emília Viotti da. A dialética invertida e outros ensaios. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. 7ª edição. São Paulo: Fundação Editora da Unesp, 1999.

CUNHA, Manuela Carneiro da. (1985) Sobre os silêncios da lei: lei costumeira e positiva nas alforrias de escravos no Brasil do século XIX. Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, Vol. 28, n.1, 1985, pp. 45 a 60.

DEBBASCH, Yvan. Au coeur du « gouvernement des esclaves » la souveraineté domestique aux Antilles françaises (XVIIe-XVIIIe siècles). In: Revue française d'histoire d'outre-mer, tome 72, n°266, 1er trimestre 1985. pp. 31-53. DOI: https://doi.org/10.3406/outre.1985.2450

EISENBERG, Peter L. Ficando livre: as alforrias em Campinas no século XIX. Estudos Economicos, Sao Paulo, 17(2): 175-216, maio/ago. 1987

ESPADA LIMA, Henrique. (2005) Sob o domínio da precariedade: escravidão e os significados da liberdade de trabalho no século XIX. TOPOI, v. 6, n. 11, jul.-dez. 2005, pp. 289-326. DOI: https://doi.org/10.1590/2237-101X006011004

FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. Volume 2: no limiar de uma nova era. São Paulo: Globo, 2008.

FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil: Ensaio de interpretação sociológica. [versão digital não paginada] São Paulo: Editora Contracorrente, 2020.

FISCHER, B., GRINBERG, K., MATTOS, H. Law, Silence, and Racialized Inequalities in the History of Afro-Brazil. In: de la Fuente A, Andrews GR, eds. Afro-Latin American Studies: An Introduction. Afro-Latin America. Cambridge University Press; 2018:130-176.GOMES, Ângela de Castro. (2004) Questão social e historiografia no Brasil do pós-1980: notas para um debate. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n. 34, julho-dezembro de 2004, p. 157-186. DOI: https://doi.org/10.1017/9781316822883.005

KARASCH, Mary. Slave Life in Rio de Janeiro, 1808-1850. Princeton: Princeton University Press, 1987.

LARA, Silvia Hunold. Campos da violência: escravos e senhores na Capitania do Rio de Janeiro, 1750-1808. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

MACHADO, Maria Helena P.T. Em torno da autonomia escrava: uma nova direção para a história social da escravidão. In: MACHADO, Maria Helena P.T. Crime e escravidão: trabalho, luta e resistência nas lavouras paulistas, 1830-1888. São Paulo: Edusp, 2018.

MAIO, Marcos Chor. (1999) O projeto Unesco e a agenda das ciências sociais no Brasil dos anos 40 e 50. Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 14, n.41, outubro/99. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69091999000300009

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

MARQUESE, Rafael. Os tempos plurais da escravidão no Brasil: ensaios de história e Historiografia. São Paulo: Intermeios; USP, 2020.

MARQUESE, Rafael. Feitores do corpo, missionários da mente. São Paulo: Cia das Letras, 2004.

MARQUESE, Rafael; SALLES, Ricardo. A escravidão no Brasil oitocentista: história e historiografia. In MARQUESE, Rafael.Escravidão e capitalismo histórico no século XIX: Cuba, Brasil, Estados Unidos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.

MATTOS, Hebe. Laços de família e direitos no final da escravidão. In: ALENCASTRO, L. F. de (Org.). História da vida privada no Brasil Império: a corte e a modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 337-384.

MATTOSO, Kátia. Testamentos de escravos libertos na Bahia no século XIX. Uma fonte para o

estudo de mentalidades. Salvador, Centro de Estudos Baianos, 1979.

MELO, Alfredo Cesar. (2006) Os mundos misturados de Gilberto Freyre. Luso-Brazilian Review, Volume 43, Number 2, 2006, pp. 27-44. DOI: https://doi.org/10.1353/lbr.2007.0013

MENDONÇA, Joseli Maria Nunes. Entre a mão e os anéis. Campinas, Ed. da Unicamp, 1999.

NABUCO, Joaquim. Um estadista do Império. In: Obras completas de Joaquim Nabuco (Volume 3). São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1949.

NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. [versão digital não paginada] Petrópolis: Vozes, 2012. DOI: https://doi.org/10.7476/9788579820700

NEGREIROS, Dario de. (2024) Formação do autoritarismo social brasileiro: escravidão. Tese de doutorado, FFLCH, Departamento de Filosofia, USP, São Paulo. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-16122024-145242. Acesso em: 23 fev. 2026.

NUNES, Paulo Rogério. (2020) O dia mais longo da história. Coluna publicada no site da Revista Exame, em 13 de maio de 2020. Disponível em https://exame.com/colunistas/opiniao/o-dia-mais-longo-da-historia/ (acesso: 14/05/2024).

PAOLI, M. C.; SADER, E.; TELLES, V. da S. Pensando a classe operária: os trabalhadores sujeitos ao imaginário acadêmico (notas de uma pesquisa). Revista Brasileira de História, n. 6, p. 129-149, set. 1983.REIS, João José. Slaves as Agents of History: a Note on the New Historiography of Slavery in Brazil. Ciência e Cultura (SBPC), v. 51, n.5/6, p. 437-445, 1999.

REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Cia letras, 1989.

SANTIAGO, Homero. (2020) Intervenção antes do seminário sobre “História a contrapelo” e prefácio ao livro do Eder Sader. Texto escrito à ocasião da reunião do Grupo de Estudos Espinosanos do dia 29/09/2020.

SCHWARTZ, Stuart. B. Resistance and Accommodation in Eighteenth-Century Brazil: The Slaves view of Slavery. Hispanic American Historical Review, v.57, n.1, p.69-81, 1977. DOI: https://doi.org/10.1215/00182168-57.1.69

SILVA, Welinton Serafim da. Eusébio de Queirós: chefe de polícia da Corte (1833-1844). Dissertação (Mestrado em História Política) - UERJ, Rio de Janeiro, 2014.

SOARES, Márcio de Sousa. A remissão do cativeiro. A dádiva da alforria e o governo dos escravos nos Campos dos Goitacases, c.1750-1830. Rio de Janeiro: Apicuri, 2009.

STOLCKE, Verena; HALL, Michael M. A introdução do trabalho livre nas fazendas de café de São Paulo. In: Revista Brasileira de História. 6: 80-120, set. 1983.

TOMICH, Dale. Through the Prism of Slavery – Labor, Capital, and World Economy. Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, 2004. DOI: https://doi.org/10.5771/9781417503575

THOMPSON, Edward Palmer. Customs in Common: Studies in Traditional Popular Culture. [versão digital não paginada] London: Penguin Books, 1993.

VOLTAIRE, M. de. Zadig ou o destino. Tradução Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2014.

YOUSSEF, Alain El. O Império do Brasil na segunda era da abolição: 1861–1880. Tese (doutorado), FFLCH-USP, Depto. de História. São Paulo: 2019.

Publicado

2026-09-04

Cómo citar

DE NEGREIROS, Dario. Sidney Chalhoub: : liberdade e determinação na historiografia brasileira da escravidão. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 19, p. 1–29, 2026. DOI: 10.15848/hh.v19.2297. Disponível em: https://revistahh.emnuvens.com.br/revista/article/view/2297. Acesso em: 5 sep. 2026.

Número

Sección

Artículo original